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GLOBOLIXO E A PERSEGUIÇÃO A ROBINHO (CONTÉM IRONIA...)

A coluna versa sobre o caso da contratação e saída de Robinho do Santos tangenciando o papel da mídia. Por várias vezes, em momentos diferenciados defende-se aqui o papel investigativo da mídia. O fato nem sempre aí-está. Há momentos que é preciso desvelar as camadas de terra colocadas sobre o fato. O esporte muitas vezes aventura-se na obscuridade e muito por conta da passividade de coberturas esportivas. Em vez de crítica é tempo de parabenizar Lucas Ferraz na investigação divulgada no Globo Esporte. Mostrar música de artilheiro é entretenimento e jornalismo esportivo se faz também com investigação e desvelamento dos fatos.

A ótima reportagem do Globo Esporte deixa claro que “A decisão do Tribunal de Milão, de novembro de 2017, ainda não é definitiva e foi contestada pelas defesas do jogador do Santos e de Ricardo Falco, o outro acusado brasileiro no crime”. Diferente dos gritos da defesa jurídica do jogador no Fox Sports, houve cuidado com detalhes. Então, porque a reação destemperada de Robinho contra o Grupo Globo?

Diz o atacante, “Deus tá me preparando para algo muito maior. É nesses ataques que você se aproxima de Deus. Viu o que fizeram com Bolsonaro antes da eleição? Que ele era fascista, racista, que era assassino. Quanto mais batiam no Bolsonaro, mais ele crescia. Estou em paz. O bem sempre vence e a verdade vai aparecer. A gente sabe como a TV Globo é. É uma emissora do demônio. Só ver as novelas e as programações. Vou meter uma camisa quando fizer um gol - Globo Lixo. Bolsonaro tem razão”. (Jornal O Tempo).

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@professoralbio
Segundo o pensador Friedrich Nietzsche, “o homem, em seu orgulho, criou Deus [e os demônios] à sua imagem e semelhança.” Robinho, em seu orgulho cria um demônio e esquece dos momentos de inferno que a vítima sofreu. A nota divulgada fala em imagem do Santos FC, na sua imagem, em prova a inocência, e a vítima? E os áudios onde a vítima é minimizada? Neste momento são todos deuses e a emissora, que fez o seu trabalho, é tratada como lixo? Criar um culpado é mais fácil que a grandeza de admitir a culpa e fazer algo que possa refeverte.

Não é apenas um homem que comentou um crime bárbaro. É um jogador referenciado por colegas de trabalho e ídolo de uma geração. Que imagem o Santos FC e o jogador acreditam que passaram ao público com a contratação de alguém que não mostrou sinais de arrependimento? Fazer jornalismo investigativo não é perseguição Robinho!

Ninguém atinge o patamar que o Grupo Globo atingiu sem um trabalho que prima pela qualidade. Lixo não se torna líder de audiência com uma média maior que a soma de seus concorrentes. Muitas vezes discordo da linha editorial de determinados programas, mas isto não desqualifica o trabalho realizado. As falas de acusação de Robinho e sua advogada no Fox Sports, são discursos que me fazem ter asco. Pode-se muito bem construir um argumento de defesa respeitando a vítima. Mas, em vez de, prefere-se acusara outrem. Como seu eu fosse culpar o computador pelas falhas de redação na coluna. Mas no caso Robinho uma vida humana foi agredida.

O que me deixa profundamente incomodado, para além da crítica ao jornalismo investigativo é a postura dos patrocinadores. A Orthopride tomou a decisão antes do desdobramento na mídia. Outras ameaçaram como cachorros raivosos que pouco mordem. A denúncia contra Robinho é de 2013. A condenação em primeira instância é de 2017. O jogador se entrar em território italiano será preso. Precisou a reportagem do GE para que isso acontecesse?