Márcio Chagas afirma que sua demissão está ligada a casos de racismo; RBS nega

(Foto: Diego Vara / Agencia RBS)
O ex-árbitro Márcio Chagas, que atuou como comentarista esportivo da RBS TV (afiliada Globo no RS), afirmou em texto  publicado no UOL Esporte, nesta sexta-feira (21), que sua demissão do grupo gaúcho teve ligação com casos de racismo sofridos por ele. Ele apresentou relatos de situações em que teria sido interpelado pela chefia por conceder entrevistas a outros veículos de imprensa sobre ofensas recebidas durante jornadas. Ao Coletiva.net, a RBS negou que o desligamento tenha sido por este motivo e disse repudiar e denunciar atos preconceituosos.

O conteúdo assinado por Chagas cita um caso ocorrido no estádio Alfredo Jaconi, em que uma torcedora do Juventude lhe chamou de "negro de merda", "negro sujo", "morto de fome" e "favelado", além de ameaçá-lo. O profissional afirma que, após relatar esse caso ao UOL Esportes, teria sido chamado por seu então chefe e repreendido por "traição", em função da matéria ter sido publicada na concorrência. O ex-colaborador afirma que a RBS 'assistia calada' as agressões, além de não lhe disponibilizar as imagens para denúncia ao Ministério Público.

Segundo Chagas, seu espaço foi sendo reduzido na emissora e, em novembro, após participação no 'Redação Sportv', na semana da Consciência Negra, voltou a ser acionado pela chefia. "Cara, estou pensando em te desligar no final do Campeonato Gaúcho, mas não quero que pense que seja por ser negro. Teus posicionamentos estão causando muitos desgastes", teriam lhe dito. Ele foi demitido em abril deste ano, em meio à pandemia. No texto, ainda citou Martin Luther King: "O que me preocupa não são os gritos dos ruins, mas sim o silêncio dos bons".

Confira a nota que a RBS enviou ao UOL Esporte e ao Coletiva.net sobre as acusações:

"O Grupo RBS defende e respeita a diversidade, seja ela de opinião, costumes, raça, credo, orientação sexual, e repudia de forma veemente qualquer tipo de preconceito. A empresa não só denuncia regularmente episódios discriminatórios em seus espaços editoriais como também apoia a formação e o desenvolvimento de grupos internos de diversidade de gênero, sexual e racial.

No caso específico das acusações do ex-juiz Márcio Chagas, a exemplo de qualquer de seus profissionais que sofrem ameaças ou agressões durante sua atividade, a empresa ofereceu apoio jurídico ao comentarista em razão dos indignos ataques sofridos por ele, que preferiu recorrer a advogado próprio que já o assistia em processos anteriores à atividade na RBS. Sobre sua saída da empresa, ela ocorreu em meio a uma reestruturação da área de esportes que incluiu a movimentação de outros profissionais.




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