Coluna do Professor #265, por Albio Melchioretto


Colunista analisa proposta que quer cobrar direitos de transmissão a emissoras de rádio. 


(Foto: Mateus Bruxel/Agencia RBS)
RÁDIOS PRECISAM PAGAR?

Por que as rádios não precisam pagar direitos de transmissão? Existe um movimento que é liderado pelo Andrés Sanchez e Petraglia que, dentro da CBF, está comandado pelo Novelletto para exigir cobrança das rádios e afins para transmissão de jogos. Coisas que lá traz, o então Atlético/PR, já tentou fazer. Expediente já adotado em algumas competições maiores. Ao longo dos últimos dias a Rádio Jovem Pan e o Rodney Brocanelli fazem uma boa cobertura sobre o assunto. Algumas situações que se põe.

Primeiro, a cobrança poderá representar uma fase de profissionalização na relação entre clubes e emissoras. Atualmente, rádios, webrádios e outras formas ocupam um espaço. A informação, hoje, é dada e um tanto volúvel neste universo de múltiplas plataformas. Pouca coisa se cria, muito se copia, no atual modelo, inclusive o modelo off-tube de repórter longe dos gramados. Eles nem podem mais entrevistar no intervalo. Os direitos trariam uma possibilidade de pensar uma estrutura profissional para todos os agentes envolvidos e terminar com o caos que se está.

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@professoralbio
As emissoras de rádio, via de regra, ao fazer futebol estão lucrando com a transmissão. O futebol não é um bem público. É um produto controlado por uma liga, federação ou organizadores. Não estamos falando de um jogo beneficente, uma ação social, mas de um negócio. Se for assim, as relações de mostragem e administração do negócio, precisam nortear algumas práticas. Se o veículo lucra, ele precisaria recompensar de alguma forma. O produto futebol é um produto de venda na rádio.

Mas, por outro lado, a medida de imediato poderia ser danosa à classe dos cronistas esportivos. E pelo visto, uma aplicação direcional, com uma discussão fechada à CBF pode ser danosa ao futebol brasileiro. Não vejo problemas em cobrar, mas a discussão de uma mudança de paradigmas só pode ser benéfica se envolver partes representativas de todos os setores. Não pode ser algo da cabeça de um sujeito. E pensar como isto impactará na vida dos profissionais de imprensa, que vivem um momento terrível de precarização e uberização da profissão.





Coluna do Professor #265, por Albio Melchioretto Coluna do Professor #265, por Albio Melchioretto Reviewed by Ribamar Xavier on domingo, outubro 20, 2019 Rating: 5

4 comentários:

  1. O problema é que enquanto rádios maiores terão condições de arcar, as demais estarão fora. Em termos de concorrência pode ser ruim. Mas como você mesmo disse, o futebol hoje é um negócio. Infelizmente.

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  2. N sei se outros profissionais já tocaram nesse assunto de tal forma, mas é a primeira análise não-passional q leio a respeito. Obgd por me ajudar na reflexão acerca dele. Abs.

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  3. Essa novela ainda vai ter muitos capítulos, e para isso andar vai ter que ter viés político, pq as leis atuais permitem a cobrança pelos direitos de imagem, mas nada falam da permissão de cobrar as rádios que no caso é audio e não imagem. Essa é a mesmo lei que não permite a transmissão de um jogo cujo os dois clubes envolvidos não tenham acerto de direitos de imagem com uma mesma rede de comunicação. A propósito, alguns jogos como Atlético-PR X Corinthians, Atlético-PR X São Paulo, se a Globo por algum motivo resolvesse não transmitir na tv aberta e nem no GE, só sobraria o rádio para tal, num futuro próximo, nem o rádio pelo jeito.

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  4. Proposta absurda cobra as radios para transmitir futebol, esse coisa que futebol e um negócio e muito chato !

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