COLUNA #181 | Verdades, por Alipio Jr.

Se há uma reclamação que sempre fazemos é concernente as coletivas de imprensa. Já falamos sobre a Titebilidade, com seu canto de sereia que iludia jornalistas e deixou de fazê-lo há um tempo, passando pelos treinadores brasileiros e a sua pasmaceira constante, evitando assuntos polêmicos e tentando ser o mais burocrático possível, chegando ao estilo Renato Gaúcho, rei da fanfarronice e fazendo a alegria dos jornalistas, com suas tiradas e provocações.

Quando Cristóvão Borges treinava o Bahia, seu time capengava pela tabela e quando foi questionado sobre o desempenho ruim, lançou mão da justificativa racial. Naquele momento não parecia ser isso, parecia mais uma maneira de desviar o foco do assunto principal e coincidência ou não, o mesmo Cristóvão Borges está há tempos sumido do noticiário e da ciranda de treinadores.

Alipio Jr.
@alipiojr
Nada disso havia nos preparados para a sinceridade e contundência de Roger Machado. Sua entrevista abordando o racismo precisa ser comentada, vista e revista por todos, em todos os locais, de clubes de futebol a escolas passando por programas esportivos. Roger falou com serenidade, sem alterar a voz e com firmeza sobre uma situação que sempre é ignorada ou jogada para escanteio e demonstrou uma clareza de ideias que se não conhecíamos, fará com que sejamos seus admiradores e estejamos sempre dispostos a sentar para ouvi-lo.

É importante reiterar que: O futebol nunca estará alijado da questão social e precisa discuti-la, incluí-la no seu dia-a-dia. E não quer dizer que precisamos concordar com o interlocutor ou que todos sejam obrigados a falar sobre assuntos que não conhecem ou não dominam, precisamos é dar espaço a quem quiser falar sobre e compreender todos os ângulos da questão.

Considero muito melhor ouvir e discutir sobre o que o Roger falou do que ter 40 programas preocupados com as consequências do VAR no campeonato nacional. 

Abraços e até a próxima.







COLUNA #181 | Verdades, por Alipio Jr. COLUNA #181 | Verdades, por Alipio Jr. Reviewed by Ribamar Xavier on 14.10.19 Rating: 5

4 comentários:

  1. O discurso do Roger está repleto de meias-verdades. Quando ele fala da questão da representatividade e diz que mais de 50% da população é negra, ele erra. Segundo o IBGE, o Brasil tem 9% de pretos. E 47% de pardos -- cuja uma boa parte são oriundos da mistura de índios com brancos. Na casa dos 42% estão os brancos. A maior parte da população brasileira é, portanto, de pardos e brancos - 90% do total. Esse discurso aí dele de chamar pardo de negro é uma estratégia cretina do movimento negro que ele repete (pesquisa no YouTube por "pardo de schrodinger", há uma boa explicação a respeito). O Brasil é um país que tem muitos preconceitos, mas se é verdade que não somos um exemplo no combate às heranças deixadas pela escravidão, sobretudo sócio-econômicas, somos um exemplo de não-racismo na cultura. O Brasil é um dos países menos racistas do mundo. E não precisamos ir longe: é só irmos nos países vizinhos. Mesmo países de maioria indígena, como Bolívia e Peru, o racismo com negros é muito mais forte. E quando ele diz que apenas dois treinadores da série A são prova desse racismo, erra também. É o oposto. E até na representatividade: 2 de 20 é igual a 10% do total. O que na prática se assemelha muito ao número de negros na população total brasileira, que é de 9%.

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  2. Roger, você literalmente deu aula. Te admiro demais, e desejo boa sorte na carreira. Espero que volte a treinar meu Galo, pois você tem potencial.

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