COLUNA #174 | Saem os ranzinzas, entram as mudanças, por Alipio Jr.


O ano era 1966. Quartas de final da Copa do Mundo, jogo entre Argentina e Inglaterra. Uma confusão generalizada. Expulsão e punição era do mesmo jeito que acontece aí na pelada da sua quebrada, com o juiz apontando para o jogador e fazendo todo um gestual. Com o migué de não ter entendido o que o juiz falou, o jogador argentino se recusou a sair do campo e foi preciso de reforço policial para retirá-lo.

No caminho para casa, o responsável pelos juízes, o inglês Ken Aston, quando parou num semáforo teve a ideia da sinalização vermelha e amarela, para indicar punições de acordo com a gravidade. Sua esposa (Hulda), teve a ideia de usar cartões. E assim nasceu a experiencia de cartões como forma de punição, a ser testada na Copa do Mundo de 1970.

Colunista entende que imprensa faz cruzada contra a utilização do VAR (Thayuan Leiras/GE.com)
A reação da maioria foi a de perplexidade. Grande parte dos cartolas e imprensa acharam um absurdo. Diziam que eram cartolinas estragando o jogo. Esqueciam que em muitos jogos foi preciso a intervenção policial para retirar os insubordinados. Detalhe: Diversos esportes copiaram o uso dos cartões (rúgbi, vôlei, handebol, adaptando para as suas regras).

Corta para alguns anos depois.

Se você for como eu e se aborrece com a cera feita pelos goleiros, sempre sentindo dor a cada nova defesa, precisava ver como era antes de 1993. O goleiro podia pegar a bola recuada com as mãos. Imagine a quantidade de vezes que o zagueiro recuava para o goleiro, ele fazia aquela ceninha, pegava a bola com as mãos e ganhava todo o tempo do mundo.

Até que os velhinhos da FIFA enxergaram aí uma oportunidade de dar velocidade ao jogo, após a Eurocopa de 1992. Então, em 1993, dentre algumas mudanças estava a proibição dos goleiros pegarem bolas recuadas com os pés por seus companheiros.

No começo foram cenas dignas de pastelão, uma dificuldade imensa de compreensão e lembro de um jogo em que o goleiro quase acertou a cabeça de um jogador com o chute, porque não queria pegar uma bola recuada de cabeça pelo zagueiro do seu time. Novamente parte da imprensa gritava que estavam mexendo onde não devia e que era mudança tola.
Dias atuais.

É instaurado o árbitro de vídeo. Há 4 hipóteses bem claras. Testado na Copa do Mundo e em algumas ligas europeias, a revisão leva 2min, quando não leva menos. Não se resolvem todos os problemas, mas repara-se alguns erros crassos.

E o que acontece? Novamente a imprensa brasileira reclama e resolve criar uma verdadeira cruzada contra o VAR, como se fosse absurdo utilizá-lo. Na última semana, após a eliminação do Manchester City, alguns jornalistas usaram suas redes sociais para culpar o VAR pelo fim da emoção, dizendo que ele estragava o momento de comemoração. Há uma verdadeira valorização da emoção em detrimento da correção por parte dessa imprensa incomodada com o que houve com um dos seus ídolos.

Alipio Jr.
@alipiojr
A pancada (nos reclamões da imprensa) foi ainda maior quando o próprio Guardiola mostrou-se favorável ao uso do VAR e disse que não era justo com o outro lado que trabalhou duramente, ser desclassificado por um erro. O que esses insurgentes da imprensa esportiva fizeram? Fingiram não ouvir e passaram a tratar o avanço como um retrocesso.

É paradoxal notar que parte da imprensa reclame da demissão de treinadores, peça profissionalização dos clubes, investimentos a longo prazo e defenda que o VAR seja ruim, que é melhor conviver com erros facilmente identificáveis. Que esses jornalistas repensem esse pensamento retrógrado e insistam para que o VAR no futebol seja como o ”VAR” (instant replay) da NFL: Melhorando a cada ano, tornando o jogo mais interessante, mais competitivo e valorizando a parte que interessa do espetáculo.

E você, o que acha?

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COLUNA #174 | Saem os ranzinzas, entram as mudanças, por Alipio Jr. COLUNA #174 | Saem os ranzinzas, entram as mudanças, por Alipio Jr. Reviewed by Ribamar Xavier on quinta-feira, abril 25, 2019 Rating: 5

4 comentários:

  1. Eu não acompanhei esse episódio de jornalistas reclamando do VAR no jogo que eliminou o city, mas eu tenho visto sim alguns jornalistas reclamando que o VAR vai tirar a "emoção do jogo" isso pq ele vai ser utilizado por exemplo, logo após um gol, e aí vai fazer com que a torcida que está comemorando pare de comemorar. Tem jornalista que prefere que um gol irregular seja validado erroneamente do que ele seja anulado após alguns minutos de consulta pela tecnologia. Mas eu desconfio de uma coisa, esses jornalistas que defendem que o VAR vai tirar a emoção do jogo, na verdade querem que o caos provocado por erros de arbitragem continuem, pois assim eles vão poder continuar explorando esse caos nos seus programas durante toda a semana. E cá entre nós se as polemicas de arbitragem acabarem ou diminuírem muito vai tirar a pauta de muito programa de futebol por aí. Hoje eles estão explorandono o caos provocado pela má utilização do VAR, mas assim que o VAR seja melhor usado e que essa demora toda que nós estamos vendo aqui no Brasil acabe, vai sobrar pouquíssimas polêmicas de arbitragem para serem exploradas.

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    1. De pleno acordo contigo, e concordo também com tudo que foi dito pelo Alípio. Das duas uma : Ou esses jornalistas são retrógrados demais ou tem algum interesse a mais pelo não uso do VAR.

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  2. FAntástico e brilhante análise,a começar pela história!

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  3. O VAR não faz os árbitros passismos fiarem melhores. Pelo contrário: só vai ser juiz ruim vendo tv e a usando como muleta. As bizarrices vão continuar na mesma.

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