Coluna do Professor #215, por Albio Melchioretto

A introdução da tecnologia no esporte, no caso o futebol, é apenas uma questão de tempo. A pergunta não seria o que, mas quando. A maior herança da Copa de 2014 está escondida em algum armário da CBF, já o legado da Copa da Rússia causa muita discussão e maior desconforto ainda. A inspiração da coluna desta semana, está na posição de dois comentaristas dos canais ESPN, o primeiro Arnaldo Ribeiro, com passagem pela mídia impressa antes dos canais, e a segunda, a estrela em ascensão, Rafael Oliveira, comentarista com passagem pelo finado Esporte Interativo.

Colunista faz uma reflexão sobre o uso do árbitro de vídeo a partir da visão de comentaristas (Divulgação/Fifa)
Arnaldo Ribeiro, por diversas vezes, é um crítico assumido a presença do V.A.R. (vídeo assistant referee), um dos argumentos que bem ouvi dele foi a desumanização do jogo essencialmente humano, onde os erros do apito, fazem parte do espetáculo e alimentam as intermináveis conversas de fãs. Já o outro nome, Rafael Oliveira, no jogo de domingo, entre Eibar versus Deportivo Alaves fez um breve monólogo sobre a cultura do respeito a arbitragem vista no jogo e comparando com o Brasil, após a utilização do V.A.R. Segundo ele, aqui há uma extensiva necessidade de reclamar e impedir o jogo “jogado”. Jogadores nestas terras contestam o tempo inteiro a decisão do árbitro, mesmo com a imagem da vida como ela é. Se você leitor, achar exagero, relembre a coletiva de Renato Gaúcho após a eliminação da Libertadores. Mesmo com a imagem, contestando-a.

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto
As discussões sobre o tema na mídia, são de modo geral, rasas. Poder-se-ia discutir o quanto justo o V.A.R. deixa a aplicação das regras; a minimização de erros capitais que decidem placaras (lembrem da classificação da França frente a Irlanda para a Copa de 2010!). Mas há algo substancial que Rafael Oliveira apontou, a necessidade de uma cultura de respeito a arbitragem, e esta cultura nasce a partir de protocolos claros de aplicação da nova tecnologia e de conhecimento das regras por parte de todos os envolvidos. Neste caso, o recurso não geraria discussões desnecessárias e ser aplicado de modo rápido, preciso e eficaz.

Entretanto há algo que me incomoda profundamente. A ideia coercitiva que existe por detrás do V.A.R. Ele evidencia um mecanismo de vigilância e punição com base em fatos. Mas fatos são mensurados a partir de perspectivas humanas, portanto, falíveis. E ele esconde uma ideia de vigilância constante, seja no campo de futebol, seja na arquibancada, nas ruas, na escola, na vida profissional, na casa, nas redes... um estado eterno de vigilância. Vigilância, nobre eleitor, desqualifica a necessidade de educar para a vida. Se não há educação para a vida, não haverá também a cultura de respeito as autoridades, pois haverá o olhar do grande irmão, conforme descrito por Orwell, em 1984, e também não formaremos para a cultura de respeito ao árbitro. Educar para cá, se as câmeras mostram o erro e os humanos são rápidos em punir. Vigiar e punir.

Erros e acertos fazem parte da nossa história enquanto humanidade... desumanizar o futebol com o V.A.R., jamais, porém, geri-lo para o espetáculo, por que não?

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Coluna do Professor #215, por Albio Melchioretto Coluna do Professor #215, por Albio Melchioretto Reviewed by Ribamar Xavier on terça-feira, novembro 06, 2018 Rating: 5

3 comentários:

  1. O VAR não tira a emoção do futebol,pelo contrário,o ser humano é falível e possíveis injustiças ainda serão cometidas por esse novo sistema.Assim como outras situações serão corrigidas.

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    1. De acordo contigo. Esse argumento do Arnaldo Ribeiro é ridículo, é o típico sujeito que pretende viver eternamente "nos anos 1900".

      Na matéria, onde consta " A maior herança da Copa de 2014 ", creio ser 2018 ao invés de 2014.

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  2. Eu acho que os protocolos do VAR tem que serem revistos, acredito eu que poderia se dar aos técnicos um desafio 2 ou 3 por tempo esse lance de interpretação que o VAR não pode se meter acho ridículo as câmeras estão lá se o arbitro tem dúvida consulta e não é o acontece se tem um lance o árbitro que está no vídeo o chama e ele decide se olha o lance ou não acho que da pra se ver esses protocolos e melhorar a infraestrutura do sistema no jogo do grêmio com o River o VAR não havia uma câmera atrás do gol isso é absurdo não tinha como eles visualizarem a mão na hora do gol pois a câmera estava lá em cima e não dava pra ver e a imagem que teve que aparecia a mão era do Sportv

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