COLUNA #192 | O futebol como metáfora da vida, por Albio Melchioretto

Colunista fala dos acontecimentos atrelados a Copa do Mundo e da falta de clima nas ruas (Reprodução)
Está chegando mais uma Copa do Mundo. Ela nunca está sozinha, e sempre podemos associá-la com mil outros acontecimentos. De uma maneira geral podemos olhar a história das copas relacionando-as com outras experiências sensoriais vivenciadas pela sociedade. Vejamos algumas.

A Copa de 1970, aquela do tri, trouxe um alento à miséria humana implantada pela ditadura civil e militar. Foram 90 milhões em ação comemorando a vitória sobre a Itália e também uma linha de fuga das mazelas do dia a dia junto a frustração do fracasso das quatros seleções de 1966. A seleção foi mágica. Venceu e jogou bem. Já a tristeza da Copa de 1982 pode ser associada a tristeza do fracasso que a primavera da redemocratização trouxe, foi um ano de eleições e grandes expectativas, mas silenciadas ao longo do processo. Em 1994, é tetra, é tetra, é tetra... foi o grito entalado. A copa começou com um propósito e terminada com o a moeda brasileira pareada com o dólar, e economia venceu, por ocasião, o adversário chamado de hiperinflação. A esperança das ruas, em 2014, e todo o ruído de panelas, terminou com a goleada da Alemanha. Sete a um no campo foi apenas um reflexo das ruas, da economia, da política, da desorganização extracampo.

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto
Estamos em 2018, outra realidade é experimentada. Não vejo o clima da Copa do Mundo pela rua. Não há faixas, nem pessoas com a camisa canarinho desfilando pelas calçadas. Tabelas da copa já não são tão distribuídas como outrora. Vejo poucas pessoas na rua empolgada com a Copa que se aproxima. Alguns articulistas associam a ausência deste clima com as manifestações de 2013, e o pouco sucesso, outros ainda afirmam que carregamos o trauma dos sete a um, mas qual será o motivo?

A independer dele, o que temos como fato é a Copa do Mundo não atrai tanta intenção como já o fora. A crise econômica que vivenciamos ainda é forte, mas como o futebol ainda é metáfora da vida, a desesperança na política talvez seja a mesma desesperança com a Copa.

Mas ela está aí, e então?


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COLUNA #192 | O futebol como metáfora da vida, por Albio Melchioretto COLUNA #192 | O futebol como metáfora da vida, por Albio Melchioretto Reviewed by Ribamar Xavier on quarta-feira, maio 23, 2018 Rating: 5

3 comentários:

  1. Depois que saiu uma pesquisa onde 77% dos entrevistados afirmaram estar mais interessados no Lava Jato do que na Copa em si, não precisamos de mais nada que ateste que a Copa 2018 não é o plano A da maioria aqui no Brasil, né.

    Com certeza o atual cenário em terras tupiniquins contribuem para isso, além do fato do Mundial ser realizado num lugar tão insosso quanto a Rússia.

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  2. Penso que 2022 será ainda pior, o desinteresse pela Copa está aumentando e felizmente o interesse por coisas mais importantes cresce (mesmo que pouco).
    O fato da Copa ser em locais sem nome na história do futebol também ajuda a aumentar o desinteresse, parece que falta algo.

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  3. Na realidade o brasileiro não está ligando mesmo pra Copa, de uns tempos pra cá. A última ainda deve um bom número de pessoas acompanhando pq foi aqui no Brasil.

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