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Nossos monstros, por Albio Melchioretto, Coluna #150

Ao longo da semana conclui a leitura da obra de Paulo Henrique Amorim, um dos mais influentes jornalistas brasileiros contemporâneos, ao completar 50 anos de carreira profissional nos mais importantes órgãos de imprensa e TV do país. Ele apresenta na obra meio século de atividade profissional com tudo aquilo que as notícias nunca deram: o lado de dentro do jornalismo e do poder. Vos pergunto, onde fica a verdade?

Ela não fica. Não é uma questão de opinião, tampouco, ponto de vista.

A mídia cria e recria numa lógica dual os bonzinhos e os malvadinhos. Tomemos um exemplo. Todos concordam que pós tragédia a Chapecoense tornou-se a queridinha de todos os torcedores. A heroína. Quando Marquinhos, do Avaí, a criticou, na final do Catarinense, a imprensa o condenou, o malvado insensível. Ele apenas lembrou do escandaloso Catarinão, que a Chape não quis entrar em campo contra o Joinville, nos anos de 1990 e da tentativa de compra de vaga para permanecer na elite do Estado quando do seu rebaixamento na década seguinte.

O futebol é uma metáfora da vida. Na última terça, quando a Chapecoense passou pelo Defesa y Justiça da Argentina, a torcida, que outrora chorara as mortes da tragédia, olhou pelo mesmo gramado e comemorou como se fosse a vitória da vida. E de certa fora. A vida que vence no jogo. Pois todos estão a espera de uma final feliz. A vitória não apaga a dor, mas o conforte a continuar na torcida. E aqui, a participação massiva da mídia contribui para que esta paixão seja ressignificada. O foco, o lance, os bordões. Tudo direciona para uma forma de vencer.

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto
Mas o problema vai além da intencionalidade da mídia. A criação de mocinhos e malvadinhos é problemática por conta da alienação que gera, além da intenção. O verdadeiro quarto poder, nas palavras de Amorim. No jogo do Santos diante do Flamengo, um enrosco envolvendo a opinião - ou não – externa a arbitragem. Nas críticas, Eric Faria da Globo foi colocado - ou é - o centro da questão. Qual o limite entre os fatos e as galhofas? Podemos nos perguntar dos limites, mas a mídia, elege um lado e o constrói no centro de seu poder. E a grande massa divisível aceita em sua monotonia.

É DIA DE BOLO.

Hoje, a coluna completa #150 edições. Ao longo dos últimos três anos fora muitas linhas, e grandes retornos. Agradeço a contribuições dos amados leitores pelas mídias sociais, na rua, nas caixas de comentários contribuindo sempre com a reflexão, isto é fan-tás-ti-co! Muito obrigado. Junto com esta marca, uma novidade: convido a todos os leitores para conhecer a Rádio Carioca Futebol. A partir desta semana colabora com a jornada esportiva com a coluna “Linha de Impedimento”.

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