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Coluna #139: Ainda não damos espaços para as mulheres, por Albio Melchioretto

Colunista questiona o pouco espaço dado pela imprensa ao Brasileirão Feminino (Reprodução)
Ontem ao parar num posto de gasolina, olhei para a seção de revistas e encontrei um Guia do Brasileirão 2017. Como venho fazendo nos últimos anos, o levei. Este guia apresentava as quatro divisões do certame, e ficha dos clubes das três primeiras séries. Na volta para casa, uma situação me incomodou. Por que a quarta divisão tem destaque maior que a primeira divisão do Brasileirão Feminino?

A maior atenção está, em divulgação de informações, número de jogos na televisão e repercussão nos canais esportivos. Na mídia impressa notícias sobre o certame nacional é praticamente inexistente fora das cidades que possuem time. Os jornais de grande circulação raramente apontam alguma linha. Na televisão, SporTV mostra um jogo ao vivo, quando possível e o BandSports o repete. Na programação jornal-esportiva, raramente algo é mencionado.

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto
Por que o futebol feminino não deslancha na mídia? Uma construção cultural que nos faz apenas o futebol masculino como produto esportivo e despertador da paixão? O futebol delas não atrai anunciantes? Não é rentável? Ou não dá retorno de ibope? A voz do saudoso Luciano do Valle, ao defender em transmissões as mulheres da bola, trazia sempre em tom de crítica ao mau trato dado a elas. Vou além de Luciano, não apenas a federação e os clubes, mas também nós espectadores e a mídia transmissora.

Ao longo das décadas construiu-se no Brasil o discurso de que somos o país do futebol. Mas este discurso é limitado a uma relação entre o torcedor; clube e a seleção brasileira. Não é uma prática realista, além dos homens que desfilam pelos gramados. A trajetória das mulheres, no imaginário popular limita-se a ação da seleção nacional nos Jogos Olímpicos e na Copa do Mundo. Apesar deste distanciamento, na televisão paga, ele ocupa um espaço, mas é insuficiente para gerar certa popularidade. Primeiro passo, popularidade, segundo passo, consolidação e por último, uma Copa do Mundo.

Se não houver um televisionamento de verdade e com espaço para discussão o futebol feminino, ficará para um segundo plano. A televisão tem possibilidades de realizar a divulgação. Falta, penso eu, interesse a fim de financiar esta brincadeira num primeiro momento, para fidelizar os torcedores. Se a fidelização ocorrer as perspectivas serão maiores e melhores.

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Coluna #139: Ainda não damos espaços para as mulheres, por Albio Melchioretto Coluna #139: Ainda não damos espaços para as mulheres, por Albio Melchioretto Reviewed by Ribamar Xavier on 7.5.17 Rating: 5