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Albio Melchioretto #137: Rodrigo Caio e a imprensa

Colunista fala da honestidade de Rodrigo Caio e a repercussão na imprensa (Fernando Dantas/Gazeta Press)
Kant foi um pensador que viveu e morreu na Prússia. Um dos pilares do pensamento ocidental. Para ele a ação moral deve ser autônoma, pois o ser humano é o único capaz de se guiar segundo aquilo que as leis da razão estabelecem. A ética é assumida pelo ser humano como um ato autodeterminante de cada sujeito. Ser ético a independer da situação, seja na política, na sala de aula ou no campo de futebol.

Na contramão de Kant há o senso-comum brasileiro. O jeitinho brasileiro que muitas vezes beira a má-fé. Tiramos uma vantagem na fila, no troco. Sem assim o é, fora, no campo do futebol então, vem a lambança que já conhecemos. Faltas simuladas, tirar vantagens em diversas situações. Jogar a torcida contra o árbitro e por aí vai, enganar o árbitro, gritar e justificar com mentiras. Por aí vai, a lista é grande. Se assim o somos no futebol, no dia a dia, porque ainda nos espantamos diante da política? Faço esta longa introdução para chegar no fato de domingo passado, a honestidade de Rodrigo Caio e a repercussão da imprensa.

Milton Leite foi felicíssimo ao enaltecer a atitude do zagueiro são-paulino, Rodrigo Caio, no lance do cartão amarelo de Jô, na partida de ida da semifinal do Paulistão. Agora, no pós-jogo, as mesas-chatas-redondas debatendo o entre o certo e errado de Caio. Na visão kantiana não há discussão, como também não há outra atitude aceitável senão a aquela que Caio tomou. Agora, porque elas são exceção no campo de futebol? Falamos em diversos momentos que o esporte educa, que o esporte é exemplo e tal. Mas, se a atitude de Caio é rara, então, isto tudo é exemplo de que, ou ainda educa para qual situação? Pode até ser um discurso à beira do moralismo, mas prefiro, um discurso de apelo a racionalidade da escolha, mas a escolha pela corretice de cada ação, a moda kantiana.

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto
Entretanto, não se trata apenas de uma ação do dia a dia, em campo há profissionais exercendo um contrato de trabalho. Como um ambiente de profissionais pode viver com mentiras, falsidades e o tal jeitinho brasileiro? Far-play não deveria ser plano da FIFA para incentivar, seja lá o que ele quiser, Fair-play deveria ser o comportar que independe da situação. Não é um debate de qual mãe deve chorar, mas um debate questionando o motivo de poucos jogadores praticarem tamanha honestidade. Rodrigo Caio não é herói, nem exemplar, é apenas humano ético. Não foi desleal no domingo. O irracional brigará pelo prêmio e conviverá com a desonestidade como algo normal, se assim pensar, não há porque reclamar da corrupção e da desonestidade em qualquer nível. Ser ético, é guiar-se pela razão. Que o gesto de Caio seja o meu gesto, o teu e de toda uma nação a fim de abominar o jeitinho brasileiro.

Na Itália, a Série B, adota para lances como este o “Cartão Verde”, algo parecido na “Copa Verde”.

Ademais, agradeço ao leitor Diego pelo alerta na semana passada. Mea-culpa pela desatenção. Alonso na Indy-500!

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Albio Melchioretto #137: Rodrigo Caio e a imprensa Albio Melchioretto #137: Rodrigo Caio e a imprensa Reviewed by Ribamar Xavier on 23.4.17 Rating: 5