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SporTV e Esporte Interativo reforçam que não farão acordo para dividir Brasileirão

Executivos dos dois canais dizem que não têm interesse em parceria (Reprodução)
A partir de 2019, o SporTV vai ter concorrência na exibição de partidas do Campeonato Brasileiro na TV fechada, com a entrada do Esporte Interativo. O tema foi destaque de matéria publicada neste domingo (26), pelo Estadão, por Almir Leite.

O texto lembra que o fato de duas emissoras terem direitos sobre jogos de um mesmo campeonato em uma mesma plataforma criará uma restrição nas exibições. Isso porque, pela legislação, um canal só poderá exibir uma partida se tiver contrato com os dois clubes envolvidos nela. É o que diz o artigo 42 da Lei Pelé.

Com a concorrência, os clubes serão divididos em dois grupos e só poderão ser levados ao ar jogos que envolvam times dentro dos grupos - o canal por assinatura do Grupo Globo tem acordo com 23 clubes, de várias divisões. O do Grupo Turner contabiliza 16, mas Figueirense e Santa Cruz dizem não ter fechado com a emissora.

Uma solução seria um acordo entre as partes. Essa hipótese, porém, é inexistente, a considerar a posição atual das emissoras. “Não vamos dividir. Nossa intenção é ficar com os clubes com os quais temos contrato. Estamos muito satisfeitos com o pacote exclusivo que compramos", disse Bernardo Ramalho, diretor de direitos do Esporte Interativo.

“Acreditamos que temos acordos suficientes com clubes de relevância nacional que nos permitem compor uma grade de transmissão da competição importante e de interesse no SporTV", afirmou, por e-mail, Pedro Garcia, diretor de direitos esportivos do Grupo Globo.

Ele reforça que a restrição só vale para a TV por assinatura. Assim, o telespectador terá sempre a opção do pay-per-view e, conforme a situação, a TV aberta - nessa plataforma, a Globo tem uma quantidade de jogos que pode exibir até para a cidade onde ocorrem.

Com base no Brasileirão de 2017, o SporTV tem sob contrato hoje 14 clubes da Série A e o Esporte Interativo, apenas seis. Mas acredita que terá entre nove e dez na elite em 2019 (hoje na Série B, o Internacional tem acordo com a emissora), o que vai lhe possibilitar transmitir, em média, dois jogos por rodada, dentro da meta da empresa.

O Esporte Interativo destinará aos clubes que tem sob contrato um total de R$ 550 milhões, assim distribuídos: 40% divididos igualitariamente; 25% de acordo com o desempenho; e 25% conforme a exposição. Os clubes só recebem nos anos que estiverem na Série A. A emissora também pagou luvas.

O valor do pacote da Globo/SporTV é de R$ 600 milhões, segundo fontes do mercado. A divisão é a seguinte: 40% do total divididos igualmente entre os 20 times que participam da Série A; 30% entre os 16 primeiros colocados na tabela; e 30% pelo porcentual de exibição na TV.

A negociação do Esporte Interativo com Figueirense e Santa Cruz poderá acabar na Justiça. A emissora sustenta ter contrato para transmissão por TV fechada a partir de 2019 com os dois clubes. Ambos negam. Os catarinenses dizem ter assinado com o Grupo Globo (SporTV) e os pernambucanos afirmam que ainda não fecharam com ninguém.

O Figueirense é mais incisivo e garante nada ter com a emissora do Grupo Turner. “O Figueirense tem contrato assinado com a Rede Globo. Se o Esporte Interativo continuar insistindo e acha que tem direito, que comprove esse contrato assinado e que entre na Justiça, que procure o que lhe é de direito", disse o clube, por meio de sua assessoria de imprensa.

O Santa Cruz alega que assinou um pré-contrato com o Esporte Interativo no início de 2016, mas que não efetivou o compromisso porque as luvas oferecidas eram menores que as de outros clubes nordestinos. “O clube está livre para negociar com as duas emissoras e decidir pela melhor proposta", posicionou-se o Santa, por meio da assessoria.

Diante do impasse, o clube pernambucano pediu a arbitragem do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e espera que em no máximo dois meses ocorra uma sentença definitiva.

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